Peneiras e Cestos

Entrevista com Dona Luiza Silvério Ferreira – março de 2018

 

“A gente colhia milho, aí descascava, debulhava tudo e levava no monjolo. Aí socava ele e sabe o farelo? Aquela parte branca? Aí tirava o amido e farelo.

A gente tinha uma Apa. Ai com essa “pá” a gente abanava e ia saindo tudo o farelo.

Esse farelo a gente dava para porco, galinha, vaca. Não perdia nada.

Aquele milho abanado, levava no rio e ficava oito dias azedando dentro do saco. Ficava com a água passando. A água era limpinha. Ai quando dava 8 dias ele já tava bem crescido.

AÍ a gente pegava e colocava em um balaio de pouquinho e pouquinho e esfregava de pouquinho e pouquinho. E esfregava o milho e saia aquela água branquinha.

Aquela água a gente esfregava na cara para não dar espinha. Esses era nossos remédios.

Aí colocava o milho para escorrer. Aí esperava até o outro dia escorrer tudo no balaio, e aí jogava o milho no monjolo de novo e socava de novo. Até ele virar quirera com fubá.

Aí passava a quirera na peneirinha bem fininha sabe, e separava o fubá. Aquela quirera que ficava na peneira voltava para o monjolo de novo, no pilão, junto com mais um pouco daquele milho escorrido.

Ai o fubá, você levava no paiol de fazer farinha, e aí já estava o forno de pedra, forno com pedra rasa, abaulada. Aí você pegava um punhado e esfregava na pedra. Aí passava um paninho, e saia o bijú.

O biju você passava em uma peneira chamada sururuca, que já é maior os buracos, e saía a farinha”.